J. S. Bach (1685-1750) - Concerto Brandenburgo no. 6 em Bb, BWV 1051

Uma boa exceção a subordinação da viola nos concertos barrocos é o Concerto Brandenburgo 6, de Bach. Ele escreveu esses 6 concertos com orquestrações diferentes para conseguir um emprego e o sexto é incomun por não ter violinos e ter duas violas solando.


Bach - Concerto Brandenburgo 6, I. Allegro



II. Adagio ma non troppo


III. Allegro

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G. P. Telemann (1681-1767) - Concerto para Viola em G, TWV 51:G9

Considerado o primeiro concerto para viola. Dizem também que Telemann foi o compositor mais produtivo da história e que essa peça marca bem a transição do barroco para o clássico.


Telemann - Concerto para Viola em Sol Maior, I. Largo



II. Allegro



III. Andante

W. A. Mozart (1756-1791) - Duo para Violino e Viola no. 1 em G, K423

Mozart, que também era violista, compôs os seus duos de cordas para ajudar seu amigo e também compositor Michael Haydn. Esse havia prometido compôr seis duos para o arcebispo Colloredo, mas adoeceu e não pôde continuar. Mozart então completou o ciclo com os dois que faltavam, e os duos foram todos apresentados como sendo de Michael Haydn.



Mozart - Duo para Violino e Viola no. 1 - I Allegro


II. Adagio

III. Rondo: Allegro

W. A. Mozart (1756-1791) - Trio "Kegelstatt" para Viola, Clarinete e Piano em Eb, K498

A famosa formação conhecida como Trio de Piano consiste em um violino, um cello e o piano. A formação com viola e clarinete é considerada anedótica e foi inventada por Mozart com essa peça - para depois ser retomada por Robert Schumann e Max Bruch. Mozart compôs esse trio para uma de suas alunas, Franziska Jacquin, de cuja família ele era muito próximo, provavelmente intencionando tocar com ela nos recitais caseiros que freqüentemente organizavam. O clarinete era um instrumento novo na época, e Mozart provavelmente escreveu essa peça pensando em Anton Stadler, o clarinetista para quem Mozart compôs o Concerto para Clarinete e o Quinteto para Clarinete. O próprio Mozart tocava viola e ele completou o trio na estréia caseira, junto com Franziska e Anton. O clarinete é um instrumento muito parecido com a viola, por ser um instrumento mediano, tocando as notas entre os agudos do obóe e da flauta e os graves do fagote. Por conta disso, os dois instrumentos juntos são usados com grande efeito de cor e tom, diferenciando-se no timbre, mas por vezes se fundindo facilmente.

A parte da viola é facilmente acompanhada em áudio:
I. Andante
II. Menuetto
III. Rondeaux (Allegro)

W. A. Mozart (1756-1791) - Quinteto de Cordas no.4 em Gm, K516

O período clássico, com sua ênfase em transparência e simplicidade, deixou as partes mais graves dos agrupamentos para segundo plano, dando claridade para a melodia solo dos violinos. Apesar disso, a viola se firmou como instrumento crucial por conta do estabelecimento do quarteto de cordas (2 violinos, 1 viola e 1 violoncelo) como uma formação fixa e canônica, provavelmente inventado por Haydn. Mas nesse período foi com certeza Mozart quem mais deu proeminência para a viola, principalmente nos seus quintetos de cordas, que incluem uma viola a mais, que pode ficar mais livre para dialogar com o primeiro violino.


Considerado por muitos o melhor dos cinco quintetos de cordas de Mozart, esse é característico por contrastar as duas metades do quinteto: os dois violinos contra a segunda viola e o violoncelo, sendo que a primeira viola atua como ponto de articulação entre o lado claro e o lado escuro do grupo, suprindo o baixo para os violinos para depois tocar a melodia acompanhada da viola e do cello. Mozart demonstra bem a versatilidade da viola enquanto um instrumento de timbre morno - consegue suprir a harmonia para um instrumento mais agudo, mas ao mesmo tempo que pode também tomar o primeiro plano como solista.


Mozart - Quinteto de Cordas no. 3 - 1° movimento

W. A. Mozart (1756-1791) - Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra em Eb, K364


Mas com certeza a peça de Mozart em que a viola é mais proeminente - e talvez também a peça para viola mais gravada de todas - é a Sinfonia Concertante. Ninguém sabe exatamente quando essa peça foi composta, em que contexto e quem a estreeou. Supõe-se que foi o próprio Mozart, já que ele tocava viola. O adjetivo "concertante" deixa claro que essa sinfonia se trata de uma peça para uma grande formação de instrumentos onde dois deles vão eventualmente tomar o primeiro plano, se tornando algo como um meio termo entre a sinfonia e o concerto. A orquestração original pede violino e viola solos, dois náipes de violino, dois náipes de viola, duas trompas, dois oboés e baixo (violoncelos e contrabaixos). O caráter sinfônico da peça é acentuado pelo fato de que a partitura pede que os solistas toquem junto com seus respectivos náipes durante os tutti, para depois se destacarem da orquestra para solarem. Tanto o violino quanto a viola dividem a foco da composição igualmente, engajados numa escrita dialógica que parece tentar contrastar o timbre do violino e da viola. Por causa do caráter brincalhão e experimental dos temas, que são quase sempre iniciados pelo violino e repetidos ou respondidos pela viola, a peça parece ter sido concebida por Mozart para ser uma exibição das possibilidades da viola, um instrumento que não inspirava muita fé como solista entre os compositores clássicos. As candezas solo onde a orquestra fica em silêncio e os dois solistas se engajam em um diálogo mais complexo são famosos por demonstrar um uso incomum de dissonâncias em Mozart. Atente para o segundo movimento, lento e choroso, parecendo planejado para fazer a viola exibir seu timbre morno e introspectivo.

Existem muitos vídeos da Concertante no YouTube, incluindo a já clássica combinação do violinista Maxim Vengerov e do violista Yuri Bashmet, com esse último regendo. Mas prefiro postar aqui uma gravação mais recente, executada com mais gusto e onde a viola pode ser ouvida mais nitidamente.


Mozart - Sinfonia Concertante, I. Allegro maestoso (parte 1)

I. Allegro maestoso (parte 2)

II. Andante (parte 1)
II. Andante (parte 2)

III. Presto

A. Rolla (1757-1841) - Capriccio no. 2

Alessandro Rolla teve grande importância em sua época como um virtuoso da viola e do violino e também por ter estabelecido muito da técnica de ambos os instrumentos. Ele também é conhecido por ter sido o professor do famoso violinista Niccolò Paganini. Sua extensa obra contém mais de 70 duos para viola e violino, sonatas para viola solo e acompanhada, vários concertos para viola e outras peças para viola e orquestra. Posto aqui um dos seus Capriccios para estrear uma peça solo no blog.


A. Rolla - Capriccio para Viola no. 2

L. v. Beethoven (1770-1827) - Duo para Viola e Violoncelo em Eb, WoO 32

Quando chegou a Viena, Beethoven conheceu um violoncelista amador chamado Nikolaus Zmeskall von Domanovecz, que se tornaria um grande amigo por toda a vida. Ele freqüentemente ajudava Beethoven com acomodações, revisões e promovia sua música. Muito provavelmente Beethoven compôs esse duo para tocar viola junto com o amigo no cello. Assim como o Trio para Viola, Clarinete e Piano de Mozart, esse duo também é na tonalidade de mi bemol, conhecida no Classicismo como a tonalidade da amizade.

L. v. Beethoven (1770-1827) - Quarteto de Cordas no. 11 "Serioso" em Fm, op. 95

Assim como Mozart, Beethoven também tocava viola em orquestras. Sua viola está exposta no museu onde foi sua casa. Beethoven prosseguiu com a tradição do quarteto de cordas do Classicismo, com uma tendência maior à dramaticidade que levaria ao Romantismo. Talvez porque ele, assim como Mozart, tocava viola ou talvez porque ele, novamente como Mozart, era um bom compositor, seus quartetos também apresentam partes generosas para a viola. Aqui segue um exemplo: o segundo movimento do quarteto 11, chamado "Serioso" por seu som soturno.


II. Allegretto ma non troppo (parte 1)


(parte 2)

C. Stamitz (1745-1801) - Concerto para Viola em Ré Maior, Op. 1

O Concerto para Viola e Orquestra de Carl Stamitz é uma das poucas peças clássicas concertantes com solo de viola e talvez por isso seja uma íntima conhecida de estudantes de viola pelo mundo inteiro. Isso acarreta na desvantagem de muitos violistas não gostarem do concerto por associarem-no com provas e audições! Nesse quesito, Stamitz se parece bastante com Hoffmeister.

Por algum motivo, existem pouquíssimos vídeos no YouTube dele sendo tocado com uma orquestra, talvez porque muitos consideram o concerto uma peça de estudo e não se preocupam tanto em montar com orquestra. Existem muitos vídeos de estudantes tocando em provas com acompanhamento de piano, mas por outro motivo misterioso, achei difícil encontrar vídeos com boas qualidades de pessoas que tocaram todos os três movimentos! Fiz uma colagem então dos vídeos que eu achei:

I. Allegro

II. Andante moderato

III. Rondó

F. A. Hoffmeister (1754-1812) - Concerto para Viola em D

O Concerto para Viola e Orquestra em Ré Maior de Hoffmeister divide com o concerto de Carl Stamitz a fama de "concerto de estudante" por ser pedido com frequência em audições de orquestra e por ser muito tocado em provas finais de viola. Isso se deve por ser, assim como o Stamitz, um dos pouquíssimos concertos do Classicismo para viola e orquestra e peças clássicas são comumente pedidas para testar a capacidade de um instrumentista de lidar com os principais elementos de interpretação musical.

Hoffmeister, assim como Beethoven e Mozart, morou em Viena, onde além de compositor ele alcançou fama como editor de partituras. Ao passar por Leipzig, na Alemanha, fundou outra editora, que seria a primeira a publicar as obras para teclado de Bach.

Ouça com atenção o langoroso segundo movimento, com uma sensibilidade e instrospecção típica da viola que não se encontra facilmente nos ditos compositores clássicos "menores", e o terceiro movimento, inusitadamente bastante virtuoso - vale lembrar que violistas virtuosos eram raros e, se existiram no Classicismo, sua fama não nos alcançou.


I. Allegro


II. Adagio


III. Rondó

J. N. Hummel (1778-1837) - Fantasia para Viola e Orquestra em Gm, op. 94

Hummel era um virtuoso do piano. Assim como todos os músicos importantes de sua geração, ele morava em Viena e lá foi aluno de Mozart enquanto criança e colega de Beethoven. Foi professor de Carl Czerny, que seria depois professor do virtuoso Franz Liszt, e influenciou muitos compositores e pianistas com seu estilo que tendia já para o Romantismo e com seus escritos sobre técnica. Ele compôs uma sonata e uma fantasia para viola, sendo que essa última é uma peça tradicional do repertório violístico como uma da poucas peças concertantes para viola do Classicismo.


Hummel - Fantasia para Viola e Orquestra